Cérebro e o Exercício

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Cérebro e o Exercício

“O Fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) é um membro da família de proteínas homólogas conhecidas como neurotrofinas, e tem um papel central no desenvolvimento, fisiologia e patologia do sistema nervoso; como também em processos relacionados à plasticidade cerebral como a memória e o aprendizado” (Yamada et al., 2002).

 

Fatores de crescimento, como as “neurotrofinas”, são moduladores da plasticidade do sistema nervoso e, sendo uma dessas neurotrofinas, o BDNF, sigla para Brain Derived Neurotrophic Factor, exerce vários efeitos no sistema nervoso central, como crescimento, diferenciação e reparo dos neurônios. O BDNF é produzido durante toda a vida com o intuito de preservação de funções essenciais como o aprendizado e memória, só para citar alguns. Acredita-se que um nível elevado de BDNF poderia estar relacionado com uma melhor saúde cerebral. Por outro lado, uma diminuição do BDNF pode estar relacionada com diferentes alterações do sistema nervoso como a depressão, esquizofrenia, doença de Parkinson, etc.

Pesquisas indicam que a prática regular de atividade física faz com que a produção do BDNF seja aumentada, com isso pode-se obter uma melhoria na memória, nas funções executivas e na saúde em geral.

Existem várias evidências científicas mostrando que o exercício físico pode melhorar a capacidade de uma pessoa em raciocinar melhor. O exercício realizado de forma adequada melhora o estado de humor, o bem-estar, a ansiedade e depressão, assim como ajuda o indivíduo a lidar melhor com o estresse.

 Um estudo na Universidade de Georgia – USA, revisou publicações dos últimos 30 anos sobre os efeitos do exercício no cérebro e demonstrou que o exercício físico fornece muitos benefícios para a saúde mental, isto é, o exercício afeta de forma positiva o desempenho de várias tarefas mentais.

Qual tipo de exercício poderá melhorar esse desempenho? Diferentes testes psicológicos e mentais mostraram que o exercício aeróbio apresenta melhores resultados quanto à capacidade de resolver problemas e tomar decisões mais rápidas e precisas. O exercício físico aeróbio de intensidade moderada provoca a liberação de hormônios e neurotransmissores (substâncias químicas presentes no cérebro) envolvidos em vários processos cognitivos, como a memória e aprendizagem.

Não é possível somente se exercitar para alcançar excelência cognitiva, porém a atividade física otimiza as funções cognitivas durante atividades que demandam raciocínio lógico. É possível se exercitar para alcançar melhora de humor e mais felicidade, já que ela tem mostrado grande correlação como tratamento de depressão em diversos estudos. O que normalmente gera a depressão é a falta de um neurotransmissor inibidor responsável pela regulação do humor chamado serotonina, junto como o neurotransmissor excitatório noradrenalina. Os exercícios em geral aumentam a concentração desses neurotransmissores por meio da estimulação do sistema nervosa. Mais além a serotonina tem uma relação recíproca com o BDNF, já que o BDNF aumenta a produção de serotonina e ao mesmo tempo a serotonina estimula a produção do BDNF. Como o exercício aumenta a produção de BDNF diretamente, ocorre um reforço do ciclo de serotonérgico no BDNF, indicando que atividade física tem um grande potencial para melhorar o humor e o bem estar.

profRogeriofernandes.com

 

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